LIMITAÇÕES À RACIONALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NA CONDUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Resumo
O Estado atua, naturalmente, de forma imperfeita, visto que se encontra suscetível à influência de diversos interesses, fatores políticos, desvios cognitivos, automatismos e vieses, que limitam a sua racionalidade. Diante disso, o presente trabalho busca discutir em que medida o Poder Público, na condução de políticas públicas, age racionalmente orientado à realização do bem comum. Nesse sentido, analisa, em O Federalista (MADISON; HAMILTON; JAY, 1993), a complexidade inerente ao equilíbrio de interesses de uma sociedade e a importância das regras e instituições que compõem a organização política do Estado. Ademais, defende que a busca por uma maior racionalidade da Administração Pública exige o reforço da motivação dos atos administrativos, o aprimoramento do planejamento público, o desenvolvimento da avaliação dos resultados alcançados, o aprofundamento do seu controle e a abertura à efetiva participação dos cidadãos em todo o ciclo de gestão das políticas públicas. Tendo por finalidade o estudo dessas questões, realiza análise qualitativa, que, por método dedutivo e com recurso à interdisciplinaridade, elabora pesquisa bibliográfica descritiva sobre os temas em pauta.
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